Avaliação da aplicabilidade dos critérios de tóquio para pacientes com indicação de colecistectomia

Conteúdo do artigo principal

Guilherme Andrade Coelho
Bernardo Huçulak Melo
Maria Eduarda Barcik Lucas de Oliveira
Bruna Corchak da Silva

Resumo

Introdução: Colecistite aguda caracteriza-se pela inflamação aguda da vesícula biliar, geralmente decorrente da obstrução das vias biliares. Os principais sintomas incluem dor abdominal no quadrante superior direito, náuseas, vômitos e febre. O diagnóstico é frequentemente baseado nos Critérios de Tóquio, que consideram indicadores clínicos, laboratoriais e de imagem.


Objetivo: Avaliar a sensibilidade, especificidade e acurácia dos Critérios de Tóquio de 2018 para o diagnóstico de colecistite aguda.


Método: Análise retrospectiva de 825 prontuários de pacientes submetidos à colecistectomia. Foram analisados sinais e sintomas na admissão, exames laboratoriais e de imagem, além do resultado anatomopatológico do espécime cirúrgico.


Resultado: O sintoma mais comum foi dor do quadrante superior direito. Leucocitose foi observada em 35,70% dos casos e elevação da proteína C reativa em 69,70%. Ultrassonografia foi o exame de imagem mais solicitado, com colelitíase como achado mais frequente. A análise anatomopatológica revelou 19,90% de casos agudos e 80,10% crônicos. Os Critérios de Tóquio de 2018 demonstraram sensibilidade de 77,40%, especificidade de 58,40% e acurácia de 66,10% para o diagnóstico de colecistite aguda.


Conclusão: Os Critérios de Tóquio de 2018 demonstraram utilidade no diagnóstico de colecistite aguda, com sensibilidade satisfatória. No entanto, a especificidade indica alguma imprecisão na exclusão de casos que não são de colecistite aguda. A acurácia global é aceitável para a classificação da presença ou ausência da condição.

Detalhes do artigo

Seção
Artigo Original

Referências

Gallaher JR, Charles A. Acute cholecystitis: a review. JAMA. 2022;327(10):965–75. https://doi.org/10.1001/jama.2022.2350

Hermógenes TCS, Baldo BGDF, Mariano BG, Oliveira CS, Ribeiro GFC, Martins JVF, et al. Colecistite aguda - uma revisão abrangente sobre a epidemiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas, diagnóstico, classificação, tratamento, prognóstico e complicações. Braz J Health Rev. 2023;6(5):20288–303. https://doi.org/10.34119/bjhrv6n5-074

Kimura Y, Takada T, Kawarada Y, Nimura Y, Hirata K, Sekimoto M, et al. Definitions, pathophysiology, and epidemiology of acute cholangitis and cholecystitis: Tokyo Guidelines. J Hepatobiliary Pancreat Surg. 2007;14(1):15–26. https://doi.org/10.1007/s00534-006-1152-y

Naufel Junior CR, Coelho GA, Peixoto IL, Araújo KWCS. Manejo da colelitíase e da colecistite aguda. In: Lopes AC, José FF, Vendrame LS, eds. PROTERAPÊUTICA Programa de Atualização em Terapêutica: Ciclo 10. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2022. p. 71–100. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v. 1).

Vasconcellos LAS, Machado CS, Moreira FAV, Oliveira GH, Menezes LC, Senssulini VL, et al. Colecistite aguda: aspectos clínicos e manejo terapêutico. Braz J Dev. 2022;8(10):68667–78.

Fauci AS, Braunwald E, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Jameson JL, et al. Harrison: Medicina Interna. 16th ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill; 2006. https://doi.org/10.34117/bjdv8n10-240

Souza YA, Esteves LAB, Canat BOR, Canato GR, Goularte PS, Bueno SM. Litíase na vesícula biliar e os cálculos intra-hepáticos. Rev Corpus Hippocraticum. 2022;1(1).

Santos JS, Sankarankutty AK, Júnior WS, Kemp R, Módena JLP, Júnior JE, et al. Colecistectomia: aspectos técnicos e indicações para o tratamento da litíase biliar e das neoplasias. Medicina (Ribeirão Preto). 2008;41(4):449–64.

Bonadiman A, Basaglia P, Fava CD, De Jesus IPA. Conduta atual na colecistite aguda. Rev Uningá. 2019;56(3):60–7.

Grundmann R, Petersen M, Lippert H, Meyer F. Das akute (chirurgische) Abdomen – Epidemiologie, Diagnostik und allgemeine Prinzipien des Managements. Z Gastroenterol. 2010;48(6):696–706.

Lemos LN, Tavares RMF, Donadelli CAM. Perfil epidemiológico de pacientes com colelitíase atendidos em um ambulatório de cirurgia. Rev Eletr Acervo Saúde. 2019;(28):e947.

Maya MC, Freitas R, Pitombo M, Ronay A. Colecistite aguda: diagnóstico e tratamento. Rev Hosp Univ Pedro Ernesto. 2022;8(1).

Nunes EC, Rosa RS, Bordin R. Hospitalizations for cholecystitis and cholelithiasis in the state of Rio Grande do Sul, Brazil. ABCD Arq Bras Cir Dig. 2016;29(2):77–80. https://doi.org/10.1590/0102-6720201600020003

Yokoe M, Hata J, Takada T, Strasberg SM, Asbun HJ, Wakabayashi G, et al. Tokyo Guidelines 2018: diagnostic criteria and severity grading of acute cholecystitis (with videos). J Hepatobiliary Pancreat Sci. 2018;25(1):41–54. https://doi.org/10.1002/jhbp.515

Castro PMV, Akerman D, Munhoz CB, Sacramento ID, Mazzurana M, Alvarez GA. Laparoscopic cholecystectomy versus minilaparotomy in cholelithiasis: systematic review and meta-analysis. ABCD Arq Bras Cir Dig. 2014;27(2):148–53. https://doi.org/10.1590/S0102-67202014000200013