Fisiopatologia da ansiedade relacionada ao uso de nicotina
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Resumo
Introdução: Embora a taxa de usuários de tabaco tenha reduzido nos últimos anos, as doenças relacionadas ao seu uso ainda são a principal causa de morte evitável. O tabagismo pode agravar ou desencadear sintomas de ansiedade na abstinência. Sua dependência apresenta alta comorbidade com distúrbios neuropsiquiátricos e transtornos de humor.
Objetivo: Relatar os efeitos da nicotina no sistema nervoso central, sua relação com a ansiedade e métodos de enfrentamento.
Método: Realizou-se revisão narrativa sobre a nicotina e a ansiedade nas bases PubMed, Google Acadêmico, Scielo e Capes Periódicos, usando os descritores “anxiety due to lack of nicotine”, “nicotine” e “anxiety”. Foram incluídos 19 artigos publicados entre 2000 e 2024.
Resultado: A nicotina liga-se a receptores nicotínicos de acetilcolina, liberando dopamina e causando dependência. Além disso, a exposição prolongada desregula o sistema hipotálamo-hipófise-adrenal, resultando em hipersecreção de cortisol e alteração na resposta ao estresse. Com a manutenção do uso, podem ocorrer mudanças neuronais que tornam a nicotina ansiogênica. devido à grande gama de receptores nicotínicos e suas diferentes sensibilidades.
Conclusão: O tratamento deve incluir tanto a abordagem para a dependência de nicotina quanto a gestão dos sintomas de ansiedade. A nicotina modula neurotransmissores essenciais para o humor e ansiedade e sua abstinência, torna os usuários dependentes.
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