Concordância da extensão glandular entre citologia e histopatologia na análise das lesões de alto grau da cérvice uterina
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Resumo
Introdução: Lesões cervicais de alto grau com extensão glandular representam desafios diagnósticos que afetam o manejo clínico. A ocupação glandular pode mimetizar outras lesões, impactando as decisões terapêuticas. Nesse contexto, a análise da concordância entre citologia e histopatologia é crucial para otimizar protocolos diagnósticos e o tratamento individualizado.
Objetivo: Avaliar a eficácia da citologia (exame cérvico-vaginal) na detecção de lesões intraepiteliais de alto grau com ocupação glandular, comparando seus resultados com a histopatologia de amostras obtidas por conização (CAF), a fim de identificar a precisão diagnóstica.
Método: Trata-se de estudo transversal e retrospectivo, realizado a partir da análise de prontuários de pacientes com lesões de alto grau da cérvix uterina. Foram coletados dados de laudos citológicos e histopatológicos, incluindo informações sobre a presença de ocupação glandular.
Resultado: Das 266 pacientes com essas lesões submetidas à CAF, 42 foram incluídas devido ao seguimento. A idade variou de 20 a 68 anos (média de 40). Ocupação glandular foi observada em 15 (35%). Critérios citológicos para ocupação glandular foram encontrados em 3, com confirmação histológica em 1 apenas. A concordância entre os achados citológicos e histopatológicos revelou sensibilidade de 33,3%, especificidade de 80%, valor preditivo positivo de 33,3%, valor preditivo negativo de 80% e eficácia de 69,3%. Recidiva pós-CAF ocorreu em 30,9% com ocupação glandular histológica.
Conclusão: A eficácia da citologia na detecção de ocupação glandular foi inferior a 70%, sugerindo a necessidade de métodos diagnósticos adicionais, como colposcopia ou exames de imagem, para garantir diagnóstico mais preciso e melhorar o prognóstico.
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