Reparo tecidual com plasma rico em fibrina em defeitos de tecido mole: estudo em coelhos

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Junior de Marco
Phillipe Geraldo Teixeira De Abreu Reis
Alexsandro Batista da Costa Carmo
Manoel Lages Neto
Jorge Luiz de Mattos Zeve
Jurandir Marcondes Ribas Filho

Resumo

Introdução: O plasma rico em fibrina (PRF) é biomaterial de origem autóloga que acelera o processo de cicatrização de tecidos moles e duros. Esse concentrado plaquetário, também tem outras vantagens como simplicidade de técnica, rápida obtenção, baixa morbidade e baixo custo.


Objetivo: Avaliar os efeitos do PRF no reparo de tecidos moles em defeitos não críticos na região de dorso nasal de coelhos.


Método: PRF foi produzido a partir de sangue venoso coletado de 15 coelhos. Dois defeitos não críticos, em envelope supraperiosteal com cerca de 15mm de diâmetro foram criados no dorso nasal de cada animal. Todos foram tratados de forma diferenciada; o primeiro foi preenchido com membrana de PRF (grupo caso) e o segundo apenas divulsionado e suturado bordo a bordo (grupo controle). Os animais foram submetidos à eutanásia na 2ª, 4ª e 6ª semanas de pós-operatório. Foram realizadas análises histológicas e histomorfométricas das peças anatômicas colhidas.


Resultado: No grupo controle após 2 semanas, o epitélio estratificado ortoqueratinizado exibia entre 8-10 camadas de estratificação e, na área condizente ao leito cirúrgico, não foi encontrada a presença de glândulas sebáceas, sudoríparas e folículos pilosos. O grupo caso apresentou 6-7 camadas de estratificação, sendo possível observar a presença de anexos cutâneos na área da operação. Após 4 semanas o grupo referente ao controle encontrava-se com epitélio estratificado exibindo entre 6-7 camadas de estratificação, e discreta neoformação de anexos cutâneos. O grupo PRF encontrava-se com 5-8 camadas de estratificação e apenas 1 pequena porção da área operada não havia a presença dos anexos. Em 6 semanas o grupo controle apresentava a pele com aspecto usual, entretanto exibia quantidade menor de anexos cutâneos quando comparada à região não operada.


Conclusão: PRF mostrou ser material promissor para a aceleração do reparo de tecidos moles.

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Referências

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