Endocardite no brasil: O que duas décadas de mortalidade revelam?

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Fernanda Ritt de Souza
Leonardo Moreira Dias
Vitória Okimura
Rafael Binnoto Bauer
Leticia Moreira Dias
Laura Nadolny
Luiz Fernando Kubrusy
Rafael Dib Possiedi

Resumo

Introdução: A endocardite infecciosa é condição grave causada por infecção do endocárdio, de válvulas protéticas ou de dispositivos cardíacos. Sua incidência tem aumentado em todo o mundo, sendo atualmente de 1,5-11,6 casos por 100.000 pessoas e taxas de mortalidade hospitalar que variam entre 17,5-30%.


Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico, as tendências temporais e a distribuição espacial da mortalidade por endocardite aguda e subaguda no Brasil entre 2001 e 2021, identificando padrões e áreas prioritárias para intervenção.


Método: Estudo epidemiológico com análise temporal e espacial, utilizando dados de óbitos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) e dados populacionais do IBGE para cálculo de taxas brutas e padronizadas.


Resultados: Entre 2001 e 2021, foram registrados 15.448 óbitos por endocardite aguda e subaguda no Brasil, com aumento aproximado de 3% na mortalidade ao longo do período. Observou-se maior frequência em indivíduos de 60– 69 anos (21,22%), do sexo masculino (61,20%), de raça branca (61,67%), com baixa escolaridade (4–7 anos de estudo) e estado civil casado. A maioria dos óbitos ocorreu em ambiente hospitalar (97,24%). A análise espacial evidenciou maior concentração de mortalidade nas regiões Sul e Sudeste, com destaque para municípios específicos. Houve autocorrelação espacial positiva significativa.


Conclusão: A mortalidade por endocardite apresentou leve crescimento no período estudado, concentrando-se em grupos populacionais vulneráveis e em regiões específicas do país, reforçando a necessidade de estratégias regionais de prevenção, diagnóstico precoce e manejo adequado dos fatores de risco cardiovasculares.

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