Explorando a inibição da bace: uma revisão sistemática dos potenciais tratamentos para a doença de Alzheimer

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Wilson da Silva Rocha Vidal-Neto
Guilherme Nobre Nogueira
Rafaela Fernandes Gonçalves
Maroan Soraia Santos Navas Ribeiro
Gustavo Rassier Isolan

Resumo

Introdução: A doença de Alzheimer (DA) é uma condição neurodegenerativa progressiva, caracterizada pelo acúmulo de placas de β-amiloide e emaranhados neurofibrilares. A inibição da enzima BACE1 (β-site amyloid precursor protein cleaving enzyme 1) tem sido proposta como uma estratégia terapêutica para reduzir a produção de β-amiloide e retardar a progressão da doença. No entanto, os ensaios clínicos com inibidores da BACE1 têm produzido resultados conflitantes quanto à sua eficácia e segurança.


Objetivo: Avaliar a eficácia e segurança dos inibidores da BACE1 na Doença de Alzheimer, sintetizando os principais achados clínicos e biomarcadores em ensaios clínicos randomizados.


Método: Esta revisão sistemática seguiu as diretrizes PRISMA 2020. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed e Cochrane Library, utilizando descritores como "BACE inhibitor", "Alzheimer", "Beta-secretase" e "Amyloid beta". Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que avaliaram a eficácia e segurança dos inibidores da BACE1 em pacientes com DA leve a moderada.


Resultado: A análise de 15 estudos selecionados revelou que os inibidores da BACE1 reduzem significativamente os níveis de β-amiloide no líquido cefalorraquidiano e plasma. No entanto, não demonstraram eficácia na desaceleração do declínio cognitivo, e alguns estudos relataram piora funcional nos pacientes tratados. Eventos adversos incluíram sintomas neuropsiquiátricos, distúrbios do sono, perda volumétrica cerebral e aumento da incidência de efeitos adversos graves, levando à interrupção de diversos ensaios clínicos.


Conclusão: Apesar da capacidade dos inibidores da BACE1 de reduzir biomarcadores amiloides, a ausência de benefícios cognitivos e os riscos associados à sua administração questionam sua viabilidade como estratégia terapêutica para a DA.

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Artigo de Revisão

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