Perfil clínico e epidemiológico de idosos avaliados em hospital terciário após quedas do mesmo nível
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Resumo
Introdução: O envelhecimento acarreta diversas alterações bioquímicas, morfológicas e funcionais. Destacam-se alteração de marcha, dificuldades visuais e redução da força muscular. Esses fatores aumentam o risco de quedas não intencionais, que podem resultar em contusões, fraturas, trauma psicológico e até óbito. Em 2018, quedas ocasionaram 12.000 mortes entre idosos no Brasil.
Objetivo: Análise do perfil clínico e epidemiológico de idosos que sofreram fraturas por quedas do mesmo nível e avaliação dos fatores de risco para osteoporose e fraturas.
Método: Estudo observacional de corte transversal, com pacientes ≥ 60 anos atendidos em hospital terciário após queda. Foram excluídos mecanismos de trauma de alta energia. Os pacientes foram divididos equitativamente em grupo fraturado (GF) e grupo controle não fraturado (GC). Avaliou-se fatores de risco e calculou-se risco de osteoporose e fratura com calculadoras validadas.
Resultados: A amostra incluiu 100 pacientes (idade ± 71,78 anos e IMC médio ± 25,89 kg/m2), sendo a maioria mulheres. Observou-se diferença significativa na avaliação de sarcopenia: indivíduos fraturados apresentaram menores valores de circunferência da panturrilha, circunferência da cintura e medida de preensão palmar. Não foram encontradas diferenças significativas nas respostas ao questionário de quedas e no uso de medicamentos associados à osteoporose e quedas. Houve diferenças significativas entre os GF e GC em relação ao risco de fraturas de quadril e fraturas maiores, avaliados pela ferramenta FRAX. O Teste de Risco de Osteoporose de Um Minuto da IOF não foi útil para distinguir os pacientes dos grupos.
Conclusão: Ao contrário do suposto esperado, variáveis como IMC, tabagismo, sedentarismo, presença de comorbidades, uso de glicocorticoides orais e o número de quedas prévias não foram capazes de distinguir os grupos. No entanto, além da faixa etária e histórico de fraturas, sarcopenia e hipertireoidismo emergiram como importantes preditores de fraturas após esses eventos.
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